quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Onde estão os homens caçados neste vento de loucura

Um poema escrito pela poetisa santomense Alda Espírito Santo dedicado as vitímas do Massacre de Batepá

O sangue caindo em gotas na terra

homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.

Ai o cais, o sangue, os homens,
os grilhões, os golpes das pancadas
a soarem, a soarem, a soarem
caindo no silêncio das vidas tombadas
dos gritos, dos uivos de dor
dos homens que não são homens,
na mão dos verdugos sem nome.
Zé Mulato, na história do cais
baleando homens no silêncio
do tombar dos corpos.


Ai, Zé Mulato, Zé Mulato.
As vítimas clamam vingança
O mar, o mar de Fernão Dias
engolindo vidas humanas
está rubro de sangue.


- Nós estamos de pé -
nossos olhos se viram para ti.
Nossas vidas enterradas
nos campos da morte,
os homens do cinco de Fevereiro
os homens caídos na estufa da morte
clamando piedade
gritando pela vida,
mortos sem ar e sem água
levantam-se todos
da vala comum
e de pé no coro de justiça
clamam vingança...


... Os corpos tombados no mato,
as casas, as casas dos homens
destruídas na voragem
do fogo incendiário,
as vias queimadas,
erguem o coro insólito de justiça
clamando vingança.

E vós todos carrascos
e vós todos algozes
sentados nos bancos dos réus:
- Que fizeste do meu povo?...
- Que respondeis?
- Onde está o meu povo?


...E eu respondo no silêncio
das vozes erguidas
clamando justiça...
Um a um, todos em fila...
Para vós, carrascos,
o perdão não tem nome.


A justiça vai soar,
E o sangue das vidas caídas
nos matos da morte
ensopando a terra
num silêncio de arrepios
vai fecundar a terra,
clamando justiça.


É a chamada da humanidade
cantando a esperança
num mundo sem peias
onde a liberdade
é a pátria dos homens...


(É nosso o solo sagrado da terra)

3 de Fevereiro em São Tomé

Amanhã, 3 de Fevereiro, é feriado nacional em São Tomé e Príncipe - 57 anos dos acontecimentos, que ficaram conhecidos como Massacre de Batepá. Em 1953 o governador de São Tomé, o Carlos Gorgulho, silenciou uma revolta de trabalhadores com mortos, atirados às águas do oceano, outros foram abatidos a tiro. Alguns morreram asfixiados em celas demasiado pequenas e diversos foram queimados. Muitos foram sujeitos a trabalhos forçados na praia de Fernão Dias.


Foram interrogados sob tortura, chicoteados, submetidos à utilização de uma cadeira eléctrica - eram obrigados a confessar o seu envolvimento numa revolta que pretenderia matar o governador e os colonos e distribuir entre si as mulheres brancas.

Depois da Independência foi construído na praia de Fernão Dias um Memorial , onde passou a ser comemorado o dia 3 de Fevereiro.


Mas ‘mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’ e em 2009 o Memorial foi demolido, depois do Governo ter assinou com a empresa Francesa – Terminal Link São Tome SA, filial da CMA, o contrato para construção do porto de águas profundas, avaliado em 570 milhões de dólares . Até o momento as obras não foram iniciadas e os festivos deste ano serão realizados na roça do Fernão Dias.
E como é que vivem os sobreviventes deste drama pode ler aqui -
http://www.telanon.info/politica/2009/02/04/918/sobreviventes-do-massacre-de-batepa-recebem-apenas-300-mil-dobras-por-ano-cerca-de-14-euros/

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Hoje tenho poucas novidades

Tomar cafe no Café&Companhia tive a sua graça, mas também desilusão... O café oferecido era Delta. É  um verdadeiro problema encontrar aqui café da terra...
Uma das paredes do café

Na parede ao lado pinturas algo assutadoras e crueis

As empregadas no balcão

A decoração no andar de cima

Um dia de trabalho

A natureza aqui é muito generosa! É o fruta-pão, que é assado com a casca e servido para acompanhar um parto de peixe. Sem adicionar o molho, não tem qualquer sabor...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Faz confusão...

... o valor apresentado na conta do jantar... 1.790.000 dobras, para quatro pessoas... o que corresponde a 73 €... alias tudo em milhões... o dinheiro é separado em maços de 1.000.000

O que não falta aqui são bancos... nunca ouvidos antes

Outra conta, mas a quantidade também é de muitas notas

Não tem nada em comum com dinheiro... mas é bonita!